segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um rub'ai de Omar Khayyam

Omar Khayyam provavelmente é o poeta persa mais conhecido aqui no ocidente. Sua fama entre nós vem da tradução feita por Edward Fitzgerald no século XIX, que até hoje ainda é a tradução referência da obra de Khayyam para o inglês. Naturalmente não sei persa e minha tradução abaixo não é do original, mas da tradução de Fitzgerald. Ou seja, é a tradução de uma tradução. Na verdade, cheguei a traduzir três rub'ais, mas os outros não considero boas traduções. No entanto todas as minhas traduções e muitas outras podem ser encontradas nesse post no blog do Matheus "Mavericco". Pois bem, a tradução.

Igualmente aos que aprontam-se pro HOJE
E aos que têm olhos postos no AMANHÃ,
"Tolos!", clama o muezim na negra torre,
"Onde buscam o Prêmio a busca é vã!"

***

Alike for those who for TO-DAY prepare,
And those that after a TO-MORROW stare,
A Muezzin from the Tower of Darkness cries
"Fools! your Reward is neither Here nor There."

Omar Khayyam
Trad: Edward Fitzgerald


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

They say that "Time assuages" -

Emily Dickinson é uma de minhas poetas favorita. Tem vários poemas dela que gostaria de traduzir (talvez um dia), mas há particularidades nos poemas dela que fazem a tarefa difícil de ser feita com qualidade. Fora isso, eu preciso reencontrar os poemas que gostaria de traduzir e não estou com meus livros com os poemas dela por perto (considerando que são mais de 1000 poemas e muitos deles bons, é complicado achar um em particular, mesmo na internet, se não souber de cor algum verso). Enfim, abaixo está uma (tentativa de) tradução que já faz algum tempo que fiz.

Eles dizem "o Tempo cura" -
Tempo nunca ousou tal feito -
Uma dor verdadeira enrijece
Como Tendão, envelhecendo -

Tempo é um Teste de Martírio -
Não Remédio, em verdade -
Se disso algo se prova, também prova
Que não havia Maldade -

***

They say that "Time assuages" -
Time never did assuage -
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age -

Time is a Test of Trouble -
But not a Remedy -
If such it prove, it prove too
There was no Malady -

Emily Dickinson

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

sábado, 13 de agosto de 2016

Sol sobre o canteiro.

Sol sobre o canteiro.
Entre finos caules brilham
As teias de aranha.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

sábado, 6 de agosto de 2016

manhã pela janela

manhã pela janela

carros buzinas
a sirene de ambulância
sol nas mãos geladas

em qual rua paralela
você foi morar

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sarajevo

Sarajevo, o que faz de ti assim tão triste?
Dize-me, consumiu o fogo as tuas casas?
Ou a chuva engoliu sem trégua as tuas ruas?
Ou a peste roubou de ti a tua graça?

Aos poucos, Sarajevo entrega uma resposta:

"Tivesse o fogo em mim por tudo se alastrado,
Minhas cortes, quais sóis, tão logo se ergueriam.
Tivesse a chuva feito as ruas serem rios,
Os mercados um fresco e novo ar teriam.
Mas a peste tem posto em mim a mão sombria,
A mão sombria tanto em jovens como velhos,
E todos a que amei, num toque ela me tira."

Essa é uma canção antiga da Sérvia. A tradução foi  feita a partir da de R. W. Seton-Watson para o inglês (abaixo). O autor do original provavelmente é anônimo (realmente não encontrei nenhuma pista).

Sarajevo

Sarajevo, whence comes thy gloom?
Tell me, has fire consumed thee?
Or has the flood engulfed thy streets?
Or has the plague laid hold on thee?"

Softly Sarajevo gives answer:

"Had fire consumed me so sore,
My shining courts would rise again.
Had the fierce flood engulfed my streets,
My markets would be cleansed and fresh.
But plague has laid her murderous hand,
Her murderous hand on young and old,
And those I love, has torn apart."