segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nenhuma interjeição é verdadeira.

Nenhuma interjeição é verdadeira.
Nenhum pranto, nem sangue (mas que drama!)
Jamais se derramou sobre o papel.
Nem mesmo é de sentir que se produzem
Os versos que despertam sentimentos.
Também não é de súbito lampejo
Que nasce qualquer coisa que se leia.

Os versos sempre são premeditados
E escritos brutalmente a sangue frio.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Um soneto de e.e. cummings: Why must itself...

Aqui está uma tradução minha de um dos sonetos de e.e. cummings (talvez o autor que conseguiu aproveitar com maior êxito essa forma fixa no século XX). Talvez numa reedição dessa postagem eu explique minhas opções de tradução, mas deixo por enquanto apenas a tradução em si.

***

Por que tem que haver em cada duma praça

ânus posto algum entre aspas monumento
provando que herói é igual qualquer babaca
que não teve peito pra responder "não"?

quem sabe os entre aspas cidadãos podiam
esquecer(errar é humano;perdoar,di
vino)que se o entre aspas estado disser
"mate" matar é um ato de amor cristão.

"Nada",em 1944 D C

"pode contrapor o argumento de ne
cessidade militar"(generalíssimo
e)e o  eco responde "não existe apelo

contra a razão"(freud)a conta é sua ainda
que não queira. A liberdade não é linda?

***

Why must itself up every of a park

anus stick some quote statue unquote to
prove that a hero equals any jerk
who was afraid to dare to answer "no"?

quote citizens unquote might otherwise
forget(to err is human;to forgive
divine)that if the quote state unquote says
"kill" killing is an act of christian love

"Nothing" in 1944 AD

"can stand against the argument of mil
itary necessity"(generalissimo e)
and echo answers "there is no appeal

from reason"(freud)you pays your money and
you doesn't take your choice. Ain't freedom grand

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

reminiscências

não tenho pena que cante
ou lábio que escreva
a convulsão ultracaótica
a dinâmica sem princípios
de meus finados sentimentos
ressurgindo em nova forma
como sombra em novo ângulo
de um mesmo objeto
perdido na memória
sem nunca ser visto
novamente

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

breve nota para fins introdutórios

Cá está meu blog. Como já alerta o subtítulo, vou postar meus poemas e traduções nele (e talvez algo de física, mas não faço promessas). Começo meu blog sem saber com que frequência conseguirei atualizá-lo. Nem mesmo faço previsões quanto a se vai durar (mas ao menos foi iniciado). Provavelmente a frequência será irregular. No entanto farei o possível para não ser exageradamente irregular.

Ah, sim. O título do blog é um verso de Fernando Pessoa (mais especificamente, de Álvaro de Campos), que é o autor de alguns dos meus poemas favoritos (fora os meus, naturalmente).