sábado, 16 de dezembro de 2017

isso transborda feito lama escura

isso transborda feito lama escura
saindo pelas grades de um buei
ro percorre quilômetros de rua
levando lixo e vômito de bêbado
transborda pela boca feito dor
no silêncio de gritos calejado
e sangue que escorrega pelo corpo
até a lama escura no sapato
e a lama escura na calçada até
o asfalto e a que debaixo até raízes
de palmeiras e a fôrma de concreto e
a escuridão enorme e enrijecida
onde a noite transborda feito la
ma escura sem ter ânsia de amanhã

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Vento repentino.

Vento repentino.
Correm pelo azul do céu
Folhas amarelas.

Vôo sobre nuvens.

Vôo sobre nuvens.
Um deserto em tons de azul
Surge ao pôr do sol.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ipê desfolhado.

Ipê desfolhado.
Mosaico de sombra e luz
No chão cor-de-rosa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um rub'ai de Omar Khayyam

Omar Khayyam provavelmente é o poeta persa mais conhecido aqui no ocidente. Sua fama entre nós vem da tradução feita por Edward Fitzgerald no século XIX, que até hoje ainda é a tradução referência da obra de Khayyam para o inglês. Naturalmente não sei persa e minha tradução abaixo não é do original, mas da tradução de Fitzgerald. Ou seja, é a tradução de uma tradução. Na verdade, cheguei a traduzir três rub'ais, mas os outros não considero boas traduções. No entanto todas as minhas traduções e muitas outras podem ser encontradas nesse post no blog do Matheus "Mavericco". Pois bem, a tradução.

Igualmente aos que aprontam-se pro HOJE
E aos que têm olhos postos no AMANHÃ,
"Tolos!", clama o muezim na negra torre,
"Onde buscam o Prêmio a busca é vã!"

***

Alike for those who for TO-DAY prepare,
And those that after a TO-MORROW stare,
A Muezzin from the Tower of Darkness cries
"Fools! your Reward is neither Here nor There."

Omar Khayyam
Trad: Edward Fitzgerald


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

They say that "Time assuages" -

Emily Dickinson é uma de minhas poetas favorita. Tem vários poemas dela que gostaria de traduzir (talvez um dia), mas há particularidades nos poemas dela que fazem a tarefa difícil de ser feita com qualidade. Fora isso, eu preciso reencontrar os poemas que gostaria de traduzir e não estou com meus livros com os poemas dela por perto (considerando que são mais de 1000 poemas e muitos deles bons, é complicado achar um em particular, mesmo na internet, se não souber de cor algum verso). Enfim, abaixo está uma (tentativa de) tradução que já faz algum tempo que fiz.

Eles dizem "o Tempo cura" -
Tempo nunca ousou tal feito -
Uma dor verdadeira enrijece
Como Tendão, envelhecendo -

Tempo é um Teste de Martírio -
Não Remédio, em verdade -
Se disso algo se prova, também prova
Que não havia Maldade -

***

They say that "Time assuages" -
Time never did assuage -
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age -

Time is a Test of Trouble -
But not a Remedy -
If such it prove, it prove too
There was no Malady -

Emily Dickinson

segunda-feira, 15 de agosto de 2016